aprendendo…

Gosto muito de aprender. Não tanto no sentido de me sentar a ouvir alguém debitar uma enormidade de informação (embora, obviamente, lhe reconheça todo o merito!) mas no dia-a-dia. Aquela aprendizagem que aparece quase sem se fazer notar, silenciosa, que nos surpreende. Aquelas coisas que aprendemos quase sem dar por isso mas que, no entanto, nos enriquecem e permanecem para sempre.

Esta semana aprendi:

– que bolacha integral com compota de batata doce e canela é uma combinação muito saborosa;
– o conceito `less is more´ (do qual sou adepta) faz sentido também na cozinha. Uma parafernália de electrodomésticos só ocupa espaço e faz mal à carteira. De resto, ninguém precisa verdadeiramente de tudo aquilo;
– a palavra inglesa para galochas é wellies;
– a importância de procurarmos a voz que nos acalma quando perdemos, por momentos, o controle…

escrevendo…

Não faço a mínima ideia se há alguém que segue o meu blog. Já tinha tido um blog no passado. Fartei-me dele e já não existe. Gosto de escrever. Gosto muito de escrever. Mas faço-o normalmente em cadernos ou em qualquer folha que me venha parar à mão. Anoto tudo. Coisas que tenho para fazer; citações de filmes, livros ou músicas; listas de compras; relatos de acontecimentos, sonhos ou desilusões… Tudo para mim mesma, duma forma meio atabalhoada e rápida, com uma letra escorrida e pequena, com as canetas ou lápis que me vêem à mão.

Quando me apeteceu criar este blog, não pensei partilhar a minha vida íntima mas sim o início de um projecto específico que ainda não arrancou. Nunca achei muito normal blogs que relatam vidas perfeitas ou blogs que só criticam a vida alheia, como se a facilidade cada vez maior que temos em nos expressarmos nos desse, por si só, o direito de achincalhar quem quisermos.

Inspirada nas imensas mãos criativas que tenho encontrado por aqui, de mulheres que procuram nas manualidades (palavra que gosto) uma forma de se expressarem e, porque não, ganharem a vida, fiquei alerta para este mundo e com o bichinho de querer experimentar – de resto, já o disse anteriormente. Quero que o meu blog tenha uma energia positiva (até porque só se vêem e ouvem coisas negativas neste país…), mas sinto que me falta dar um lado humano a este espaço. Como tal, combato a tendência natural de me resguardar e mostro quem sou:

– distraída; meiga; de sorriso fácil; ansiosa, nostálgica, amiga, boa ouvinte;

– não suporto hipocrisias e demonstrações de soberba; pessoas que ostentam coisas como sendo o mais importante, sobrepondo-as a outros seres humanos, de “classe mais baixa” (também não gosto da expressão);

– fui fumadora durante quase 10 anos. agora não fumo e raramente bebo bebidas alcoólicas. simplesmente porque me sinto melhor assim;

– fiz várias escolhas erradas na minha vida, em vários campos, que me levaram a um estado de inércia e tristeza profunda que tento combater todos os dias;

– tenho insónias com muita frequência, resultado da minha ainda insatisfação comigo mesma, com as pessoas, com o mundo;

– quando gosto de uma pessoa, gosto para sempre;

– considero-me uma pessoa tolerante mas tenho aprendido que um casaco que imite a pele não tem comparação com um verdadeiro (logo, não devo rosnar de cada vez que vejo um!), entre outras coisas que põem seriamente em causa a minha tolerância…;

– das melhores coisas que posso sentir é empatia – por pessoas, causas, lugares…

Já falei muito de mim, demasiado até, e não sei se isto se vai repetir muito por aqui. Para quem possa passar e ler, resta-me dizer que sou humana e admito-o.

descobrindo…

John William Waterhouse ( 6-04-1849 a 10-02-1917), pintor neo-clássico e Pré-Rafaelita do Reino Unido (também encontrei uma referência a Roma), iniciou a sua carreira com temas da Antiguidade Clássica mas foi na literatura e na mitologia (sobretudo grega) que encontrou maior inspiração, debruçando-se especialmente na figura da mulher.

John William Waterhouse

In H.S. Mendelssohn’s studio, Notting Hill Gate,
to the age of 37 years. 1886 – Private. col

Considero os seus quadros extremamente românticos. Pergunto-me que tipo de homem seria, para pintar a mulher de forma tão delicada e bela… Não foi fácil escolher as que mais gostei de tantas pinturas, então decidi-me por aquelas que, de alguma forma, retratam a forma como me sinto actualmente.

– sentindo o vento e o poder da Terra:

Windflowers- John William Waterhouse

Windflowers – 1903

– abrindo a porta do meu novo ninho:

Psyche entering the Cupid's garden - John William Waterhouse

Psyche entering the Cupid’s garden – 1904

desejando ser mãe com todas as células do meu corpo:

A song of Springtime - John William Waterhouse

A song of Springtime – 1913

– à procura de mim mesma/ sonhando:

Thisbe - John William Waterhouse

Thisbe – 1909

Se quiserem conhecer mais a fundo a obra deste pintor, visitem a sua página aqui.