chá

A semana passada falei de meditação (para lerem os textos cliquem nos títulos), mas não fiz nenhuma referência à cerimónia do chá. Eu gosto muito de chá e já anteriormente mostrei parte da minha colecção.

Mesmo a propósito, encontrei um livro que já há muito procurava:

Escrito por Venceslau de Morais, profundo conhecedor da cultura oriental, a primeira edição remonta a 1905.

Não acham as imagens belíssimas?

E agora a cerimónia do chá:

Prepare uma chávena de chá, lenta e cuidadosamente. Permaneça relaxado mas atento aos pormenores. Ponha uma música meditativa – o som de chuva adequa-se bem. Use uma chávena simples e bonita. Escolha um chá de que goste, de boa qualidade (o chá verde* é sempre uma boa opção porque limpa as toxinas do organismo).

Quando o chá estiver pronto, dirija-se a uma zona agradável da casa, ou jardim. Sente-se confortável numa almofada, no chão, ou directamente na relva, descalço. Aprecie a beleza à sua volta. Inspire o aroma agradável do seu chá,  repare na  sua cor e saboreie cada gole. Sinta-se feliz com a luminosidade e beleza que criou para si mesmo.

“Quando tornamos o nosso mundo pacífico, belo e luminoso, o nosso coração e a nossa mente acompanham-no.”

* Por favor, tenham em atenção: quem tiver hipertensão ou qualquer outro problema cardíaco, não deve ingerir chá verde!

ॐ – parte 5

Penso que já deu para perceber a importância do nosso estado interior para a nossa vida exterior.

Quanto mais relaxados estivermos, quanto melhor nos sentirmos com o nosso próprio ser, melhor nos sentiremos com as outras pessoas e mais facilmente lidaremos com os obstáculos do dia-a-dia.

As tensões e frustrações quotidianas não devem ser reprimidas, para o nosso próprio bem estar. Temos de arranjar forma de as dissipar. Para tal, arranje um local para onde se possa retirar sempre que se sentir invadido por sentimentos negativos. Pode ser o seu carro, um jardim, um canto mais sossegado no escritório ou o seu local preferido de casa. Aplique a técnica da tomada de consciência: respire fundo 3 vezes, lentamente, e tente colocar pensamentos positivos na sua mente. Apure os seus sentidos: sinta a respiração, o ar entrar e sair; dê uma rápida olhadela à sua volta. Há algum aroma agradável? Inspire-o. Expire, lentamente. Ouça os sons circundantes. Os pássaros cantam? Sorria. Sinta-se relaxado. Diga para sim mesmo:

Estou relaxado, calmo e em paz. Fico no momento sem qualquer dificuldade.

A meditação ensina-nos a enfrentar o nosso interior, em vez de o bloquearmos, rodeando-nos de conforto, comida, bebida, televisão e bens materiais.

Se é fácil? Não! Este é um trabalho contínuo e requer muito empenho. Garanto-vos que lido com isso todos os dias. Se me podem ver como na foto, saltitante, também me encontram em dias menos bons, em que nem me apetece sair da cama. Mas se tentarmos ser felizes não é o mais importante, então não sei o que será!

Aqui deixo os links de uns vídeos onde podem perceber melhor como funciona a meditação. Têm legendas e penso que explica muito bem todo o processo.

parte 1

parte 2

parte 3

parte 4

Aproveitem o fim-de-semana para ver os vídeos e começarem a praticar a vossa meditação. Fiquem bem.

ॐ – parte 4

Hoje vou falar de emoções e de como a meditação nos pode ajudar a lidar com elas.

Quando as nossas emoções, pensamentos e atitudes são negativos criam-se desequilíbrios de energia no nosso corpo. Esse bloqueio de energia é, então, o principal responsável pela doença porque afecta directamente a nossa imunidade natural.

Experimente o seguinte: sempre que se sentir invadido por uma emoção negativa, seja tristeza, fúria ou até inveja, tente criar um intervalo de tempo antes de reagir. Nesse instante, respire fundo as vezes que achar necessárias e questione-se da validade dessas reacções. Compreenda que é você mesmo que atribui importância a essas emoções negativas e deixe passar essa impulsividade. Respirar fundo é uma forma de se acalmar.

Ao conseguir uma atitude compreensiva consigo mesmo, facilmente deixará de julgar os outros. A auto-aceitação é de extrema importância na prática de meditação – dela vem a confiança, energia, felicidade e, claro, a saúde. Seja positivo!

E que tal aprendermos agora a criar um cantinho especial para onde nos podemos refugiar nos momentos mais complicados? A mim, parece-me boa ideia! Ora vamos lá!

Este é o seu espaço sagrado, o seu porto de abrigo. Aqui as emoções são todas positivas. Respire fundo, está em casa.

Entre, sinta a calma que o rodeia e deixe-se ficar.

Imagine: uma gruta mágica; um prado verde a perder de vista; um belo jardim perfumado com flores de todas as cores; uma praia deserta de areia fina, perca-se no mar; uma bolha no espaço, por onde vagueia… enfim, encontre o local de sua preferência. Construa cada pedaço dele com coisas que considere bonitas: uma cascata de água cristalina, o pôr-do-sol, a brisa junto ao mar, o aroma do seu bebé…

Feche os olhos, inspire profundamente. Sinta a calma invadir o seu corpo enquanto desloca a sua mente pelo local que criou. Entre nesse local, familiarize-se com ele. Cheire, toque, veja, ouça – apure os seus sentidos. Aqui pode sentir-se completamente seguro.

A quem tem acompanhado estes dias em que falo de meditação: amanhã fecho a semana com o tema “estar no momento” e deixarei também uns links que podem ser úteis a quem deseja explorar mais este tema.

Até lá!

ॐ – parte 3

Depois de encontrado o ambiente adequado e de conhecermos as formas como podemos fazer meditação, vamos agora focar-nos no seu fecho.

Podemos utilizar o mantra OM no fecho da sessão meditativa. Este possui três sons distintos: ahh, uhh, mmm e pronuncia-se AUM. A vibração que sentimos no corpo ao pronunciar este som, de forma prolongada e repetida, transporta-nos para um estado de comunhão com o Universo e todos os seres vivos que nele habitam.

Inspire pelo nariz suavemente. Expire longamente. Vocalize o som OM devagar e prolongadamente. Sinta a paz que o inunda ao extrair o ar que já não necessita e dê graças ao ar que invade o seu corpo, ao inspirar novamente.

Com o tempo, sentir-se-á mais à vontade com o processo meditativo. Aprenderá a reconhecer cada pensamento que surgir e a ignora-lo facilmente. Com prática, prolongará a sua sessão por 45 minutos ou até uma hora. Depois de muito treino, terá conseguido libertar-se do pensamento.

Amanhã falarei de como aplicar a meditação no nosso dia-a-dia, criando o nosso cantinho especial na mente e aprendendo a lidar com as emoções.

Deixo o link de uma música para ouvir enquanto relaxa:

http://www.youtube.com/watch?v=Kfcn-o-O6Sk&feature=related

ॐ – parte 2

Depois de encontrada uma posição confortável, a nossa atenção deve focar-se num “suporte”. Este pode ser um mantra ou a nossa própria respiração. A ideia é focalizar a nossa mente nesse suporte para que, ao divagarmos com o pensamento, rapidamente possamos voltar à concentração anterior.

Ao iniciar a meditação, concentre-se na sua respiração abdominal: inspire profundamente 3 vezes, enchendo primeiro a parte mais funda dos pulmões, seguidamente do centro e parte superior dos mesmos. Expire lenta e regularmente. Isto vai ajudá-lo a endireitar naturalmente a coluna e a fixar a sua atenção, transmitindo-lhe tranquilidade. Inspire e expire sempre pelo nariz. Sinta o ar entrar e sair pelas narinas e siga o seu percurso interior.

Meditação através do som: existem inúmeras ofertas musicais, desde cd´s de música New Age ou clássica, a sons da natureza, como chuva, tempestade, canto de pássaros, etc. O objectivo é deixar como som de fundo para evitar que a mente vagueie.

Meditação através de um mantra: instrumento básico da meditação, um mantra é um som sagrado. Pode ser um som, palavra, frase ou expressão. Pode ser sussurrado, cantado… O mantra mais comum é o OM MANI PADME HUM (” a jóia no coração de lótus”). Repita-o continuamente, de forma lenta, sentindo as palavras entoar no seu interior – a voz humana aproxima-nos da energia sagrada.

Amanhã, falarei do fecho da meditação.

Fiquem em paz.

“A sílaba “OM” é o Universo. Tudo o que existiu, tudo o que existe, tudo o que existirá depois, é OM. É tudo o que transcende o passado, o presente e o futuro”